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Pense amplamente.
Esta nuvem, que agora vejo, já percorreu o mundo, com suas várias formas. E, assim como ela, que visita cada canto do planeta onde o ar consegue alcançar, vaga meu pensamento. Penso no presente mais exato de todo o mundo: o momento corrente.
Ahh! Mas há tanto acontecimento no agora, e são tantas as possibilidades! Alguém nasce, alguém morre. Uma mãe vê um filho se formar. Uma mulher se torna viúva. Um homem tem o melhor momento de sua vida. Um grupo de amigos faz uma festa. Alguém é reprimido. Religiões fazem nascer homens-bomba. Um menino sonha poder salvar o mundo e combater os vilões. Uma menina é mantida em cativeiro por um ganancioso qualquer. Irmãos se abraçam. Namorados fazem amor. Amantes traem. Alguém é enganado. Uma senhora dorme. Um senhor tenta ensinar gamão a seu neto, que, por sua vez, tenta fazê-lo jogar vídeo-game. Homens de poder planejam guerras. Homens que nada podem planejam sobreviver. Um jovem lê. Pessoas trabalham mesmo cansadas, e outras se cansam só de pensar em trabalhar. Alguns sentem fome, sede, dores. Outros comeram demais, beberam demais, feriram demais.
Ah! E pensar que esta nuvem, testemunha de toda a demasia humana, consegue ser leve e voar.
(quisera eu que fosse meu pensamento)
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Então você resolveu viajar de madrugada. Como você é um cara prevenido, encheu seu tanque logo depois que saiu do serviço, para não ter que demorar mais do que um arrumar de malas para pegar a estrada. Aí você se despede da mãe, do pai, do irmão pentelho e do tio folgado, pega seu carro e vai, sonhando com aquele fds bacana na praia com a galera, que já está toda na casa do primo do seu amigo.
É, você até queria já estar lá, mas seus amigos tiveram recesso e você não, teve que esperar até agora, sexta feira a noite, pra sair. Melhor assim, certo? Chegar lá sábado cedo e ter todo o final de semana para curtir. Animado, você pisa fundo no acelerador.
Entre salgados estragados, cafés frios e banheiros sujos, segue sua viagem sem complicações. Um chicletinho para tirar o sono, uma musica para quebrar o silêncio da estrada noturna, até que… puuuff! Isso mesmo, seu pneu fura. Mas é pra isso que serve o step, né? Então você vive aquele momento filme no meio da estrada e com o pneu furado, mas logo resolve o problema.
Continua seu percurso, mas, de repente, percebe algo vermelho no painel. Sim, sua gasosa está chegando ao fim. E você se pergunta: “Mas como? Eu tenho certeza de que enchi o tanque!”. Bem, o que posso dizer? Você realmente deveria ter mais cuidado com o lugar onde deixa a chave do carro enquanto fica 3 horas se preparando para uma viagem, principalmente morando no mesmo teto daquele seu irmão que acabou de tirar carteira. Você passa os próximos 20 minutos da viagem tenso, tentando encontrar um posto de gasolina, mas é claro que isso não acontece. O motor dá o seu último suspiro e você o seu primeiro.
Não preciso comentar que a gasolina acabou na pior parte da estrada, né? Sim, naquela mais deserta, sem iluminação, sem lanchonetes, sem postos de gasolina, sem acostamento e, obviamente, numa curva. Mas nem tudo está perdido, não enquanto houver o celular, a maravilha eletrônica! Você pega seu telefone às pressas, e tenta ligar para algum de seus amigos para pedir ajuda, mas o cruel barulhinho de perda de sinal é fatal. Nessas horas, o sinal sempre é perdido e não volta enquanto você precisar dele. E não, nem o “Somente Emergência” funciona.
Você analisa sua situação: São 3e25 da madrugada, você está a 200km do seu destino e a 200 km do seu ponto de partida, já teve de trocar o pneu e agora seu carro está parado sem gasolina num lugar desconhecido e deserto, seu telefone não funciona e não há orelhões, nem nada que possa fazer você se comunicar com o resto do mundo , por perto.
É, meu amigo, consigo ver pra você duas opções: Esperar uma alma caridosa aparecer, ou andar e andar até encontrar algum posto, lanchonete ou qualquer sinal de vida.
Problemas:
Primeira opção: Acontece que a alma caridosa que aparecer pode ser, na verdade, um assassino psicopata.
Segunda opção: Você pode andar 199 quilômetros sem achar nada disso, afinal, o único lugar onde você tem certeza de que vai encontrar algo do tipo é no seu destino.
Ainda bem que você é prevenido e trouxe um lanchinho no carro. Não fique tão mal, poderia ser pior…
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Pessoal, hoje tive essa idéia meio esquisita de tentar criar uma seção no meu blog, a seção “E agora?” . A intenção é que sejam apresentadas situações bizarras, de todos os tipos, como problemas, azares, ciladas, etc, e que vocês comentem maneiras de escapar destes acontecimentos.
Bem, se tudo der certo, além de fazermos uma utilidade pública criando um manual de sobrevivência em situações bizarras, será bem divertido!
E agora? O que vocês fariam? Espero o comentário de vocês
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Queria ser história que corresse por todas as ruas e caminhasse por todas as praias. História que subisse montanhas e caísse acompanhando as águas da enorme cachoeira. Queria ser mais que uma simples história esquecida, ser mais que uma simples história contada; queria ser história vivida.
Queria ter a alma e a complexidade das pessoas. Queria me prender a cada detalhe dos momentos; a chuva, as estações, os beijos e as canções. Queria entender todos os meus personagens: o bom, o mau, o doente, o gentil, o bobo, o amigo, o solidário, o desprezível, o notório, o amado, o que ama, o protagonista e o coadjuvante.
Queria ser impressa em livros, mostrada em filmes, recontada por gerações. Queria fazer todos rirem e chorarem. Queria fazê-los sentir e amar.
Queria durar mais que meu próprio tempo, despertar reflexões além da minha moral, libertar imaginações e devaneios para além de meus próprios limites. Queria fazer reais os desenhos, as bruxas, os magos, os vampiros e lobisomens, o sobrenatural. Queria mostrar possíveis todos os vôos e todos os sonhos.
Queria não ter moral e, assim, determinar meu final às luzes do que desejo e almejo. E as cortinas dos teatros se fechariam, os créditos do filme terminariam, e o livro chegaria ao fim. Mas eu não.
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Antes que perceba, sabe chorar
quer seu desejo atendido
aprende a canção de ninar
Antes que perceba, rende-se ao encanto
deixa pra lá o pranto
aprende a andar
Antes que perceba, teme
a onda desmancha o desenho
os fogos viram fumaça
o belo se modifica
os palhaços perdem a graça
Antes que perceba, puxa a barra da saia da mãe
não quer mais ficar exposto
pede colo, pede ombro
pede um sorriso para seu próprio rosto
Antes que perceba, luta
traça planos e ideais
arruma as malas, segue em frente
vai, simplesmente, rumo a objetivos irreais
Antes que perceba, voa.
Antes que perceba, tem companhia
o amor se torna evidente
aprende a admirar o dia
escuta o pássaro a cantar
acha um propósito para a vida
ousa sem titubear
Antes que perceba, faz-se presente
derrama o leite
tropeça na pedra
fere outros e a si
deixa marcas de beijos e cicatrizes
percebe-se singular
Antes que perceba, tudo acaba
a lua se põe
o vento para de soprar
as águas da chuva secam
o sol ofusca o brilho de outras estrelas
Antes que perceba, vive o momento eterno
o ciclo é continuado
as sementes viram árvores
as nuvens se formam
Há chuva e há vida mais uma vez
Persiste assim, ordem de eventos irrevogável;
antes que se pense, se sente
Ainda que não se perceba
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O comandante liga o aviso. Aperto o cinto. Ansiosa e curiosa, olho pela janela. Ah! Meus olhos brilham e as palavras somem, só resta o suspiro de admiração; é lindo… e é só o começo. -penso. Madrugada em Miami vista do céu: milhares de luzes coloridas que mais parecem uma obra de arte. Fico imaginando como seria pousar em Las Vegas… surreal, no mínimo. O avião aterrissa. Aguardamos a conexão para Orlando. O segundo avião pousa. Orlando, enfim! Sinto-me dentro de um filme: estradas de cinema, casinhas de cinema, carrões de cinema… Mas, ainda assim, é só o começo.
O Ônibus segue o caminho até o Epcot, o primeiro parque da Disney que iríamos conhecer. A expectativa é enorme, mas a realidade a supera imensuravelmente: tudo aqui é perfeito, no mais essencial sentido dessa palavra. Simulações da evolução, de asa delta, de testes de segurança de carros, várias culturas e países dentro daquele pequeno mundo onde acabávamos de entrar: o mundo Disney. Dando uma volta nesse mundo, conhecemos China, Japão, Reino Unido, México, e muitos outros lugares em um só dia. E, ao final deste dia, a primeira celebração: Epcot Illuminations Fireworks. Impecável.
Conhecemos tantos lugares incríveis, mas nenhum desses encantos se compara à magia do Magic Kingdom. Revivo minha infância fingindo ajudar o Mickey a salvar o dia, converso com personagens de desenhos que já foram meus heróis, tiro fotos, peço autógrafos, vejo apresentações, e brinco… feliz como toda criança. É o reino onde os sonhos se tornam realidade, já alertava Walt Disney. Então,vejo todos os personagens, tão adorados, desfilarem pelo parque: é a “Celebrate a dream come true” Parede, e o próprio nome indica a sensação que se tem ao presenciá-la. Mas o mais lindo… ah! o mais lindo ainda está por vir.
Anoitece no Magic Kingdom e, apesar da ameaça de chuva, o show de fogos “Wishes” é anunciado, preenchendo-nos com entusiasmo. Audição e visão nunca foram tão bem estimuladas quanto naquele momento. Fogos e sons em perfeita sintonia, Sininho voando sobre nossas cabeças, imaginação tão solta que torna estranho pensar que ela não é realidade. O show mais maravilhoso que já vi, ouvi, senti e vivi. Volto ao hotel, pensando se deveria ser acordada para voltar a sonhar.
Chego no Disney Hollywood Studios. Concluo que me precipitei ao pensar que estava vivendo um filme antes, pois até mesmo a apresentação do Rei Leão no Animal Kingdom agora parece pouca. Neste momento sim, vivo um filme, está claro. Vivo A bela e a Fera e A pequena Sereia, e participo de tantos outros contos através de brincadeiras! É fantástico. Ao final deste dia, aguardo, em algo semelhante a um estádio, porém aberto e com vista para uma espécie de lago, um show chamado Fantasmic. Converso com uma família americana. Uma mulher jovem, uma mulher mais velha e uma criança. A brilhante apresentação nas águas termina. Dirigimo-nos todos à saída. Despeço.
Antes de partir, encontro novamente a família com a qual havia conversado. Digo às mulheres que realmente adorei conhecê-las, e que espero encontrá-las novamente algum dia. O carinho é retribuído. Despedimos de novo, mas antes que eu pudesse dizer adeus, um abraço! Um surpreendente, carinhoso e aconchegante abraço de meio metro de altura e inestimável valor. A criancinha loirinha, de olhos azuis e com uma mecha rosa no cabelo, despede-se de uma forma tão bela! Tão amorosa e calorosa…Tão intensa que eu me deixa sem reação… tanta idéia falsa eu tinha sobre aquelas pessoas, os frios e calculistas americanos do norte! Tanto preconceito idiota…
A coisa mais linda foi aprender que pessoas não podem ser padronizadas, generalizadas: pessoas são singulares. Talvez você não goste da crença que elas tem, ou do modo como se vestem, ou de onde elas moram, ou talvez você até goste, mas é um tabu assumir esta posição. A verdade é que não importa. As coisas que elas fazem ou que você pensa que fazem não definem quem são. Pessoas são só pessoas, e só tem em comum o fato de serem diferentes. A coisa mais linda é poder ter a mente aberta para não julgar as pessoas que aparecerão em nossas vidas.
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Luz que esquenta e encanta. Luz que desafia. Forma círculos no ar, desenhados por mãos hábeis. Mãos exaustas, mas precisas, mãos que sabem. Sabem o perigo que correm e o poder que tem. Sabem?
É bem verdade que isto pouco importa. O ato é preciso e o ator cuidadoso tem amigos. Os amigos caminham entre os carros com rostos tristes. Recebem trocados por apelarem para a consciência que ainda existe. As esmolas são guardadas e nada mais. Não houve lição, não houve trabalho e muito menos paz.
Alguém na platéia pensa que ajudou. O menino ator não se importa com seus espectadores. Por que se importaria? A platéia é imensa e ele apenas um menino. Um menino sem importância, como tantos de seus amigos. Continua seu espetáculo banal, girando o fogo que ilude. Ilude os outros e a si. Ilude?
Nesses segundos entre a luz vermelha e a verde, o show que começa não é bem visto. Mostra o menino que brinca com o fogo, o menino que tudo pode. Pode ferir, pode queimar e incendiar. Pode?
O movimento é cessado após um sopro. A luz se apaga. Os carros correm.
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Eu poderia discursar
Sobre reflexões e pensamentos
E poderia só falar
Soprar idéias ao vento
Poderia, entao, insistir
que estou certa e que sei
E poderia até fingir
Pra mim mesma que não errei
Eu deveria escutar
O que tem a propor
E deveria não opinar
Nem pensar em me opor
E deveria concordar
Que está certa, eu sei
Mas eu iria analisar
Sua falha e limitação
E deveria me calar
Ante sua falta de visão
O dever arranha, tímido, te limita
O poder, em chamas, não se acanha, grita
Deixar queimar-se ou deixar que queime
Deixar queimar-se ou deixar que queime
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A bolacha que caiu no chão é aquela que desperta sentimento. Raiva, dúvida, frustração…é impossível ser a ela indiferente. Ela não é necessariamente a última bolacha do pacote, que já foi fabricada com o privilégio de ser quem vai deixar o gostinho final, e todos sabem que seu gosto é exatamente igual ao das demais, mas ela se destaca. Mesmo sabendo que já está suja, a hipótese de apreciá-la, e, assim, corrigir seu próprio descuidado, é, no mínimo, considerada. Então vêm as desculpas; “existem pessoas passando fome, não posso desperdiçar”. Neste e na maioria dos casos, desculpas não passam de ótimas formas de amenizar para si o próprio fracasso. Ela não estaria no chão se seu dono fosse menos estabanado. A esta altura, seu dono já a teria saboreado, e provavelmente estaria fazendo planos para a última. Mas não. A que caiu no chão tem seu charme, seu quê de algo que incomoda, faz-se impossível de ignorar. Então, o que fazer? Ser sensato e descartá-la ou sucumbir ao desejo? Decida-se, os três segundos já passaram.
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