Ainda
Antes que perceba, sabe chorar
quer seu desejo atendido
aprende a canção de ninar
Antes que perceba, rende-se ao encanto
deixa pra lá o pranto
aprende a andar
Antes que perceba, teme
a onda desmancha o desenho
os fogos viram fumaça
o belo se modifica
os palhaços perdem a graça
Antes que perceba, puxa a barra da saia da mãe
não quer mais ficar exposto
pede colo, pede ombro
pede um sorriso para seu próprio rosto
Antes que perceba, luta
traça planos e ideais
arruma as malas, segue em frente
vai, simplesmente, rumo a objetivos irreais
Antes que perceba, voa.
Antes que perceba, tem companhia
o amor se torna evidente
aprende a admirar o dia
escuta o pássaro a cantar
acha um propósito para a vida
ousa sem titubear
Antes que perceba, faz-se presente
derrama o leite
tropeça na pedra
fere outros e a si
deixa marcas de beijos e cicatrizes
percebe-se singular
Antes que perceba, tudo acaba
a lua se põe
o vento para de soprar
as águas da chuva secam
o sol ofusca o brilho de outras estrelas
Antes que perceba, vive o momento eterno
o ciclo é continuado
as sementes viram árvores
as nuvens se formam
Há chuva e há vida mais uma vez
Persiste assim, ordem de eventos irrevogável;
antes que se pense, se sente
Ainda que não se perceba
Disney – Parte 1 – A coisa mais linda
O comandante liga o aviso. Aperto o cinto. Ansiosa e curiosa, olho pela janela. Ah! Meus olhos brilham e as palavras somem, só resta o suspiro de admiração; é lindo… e é só o começo. -penso. Madrugada em Miami vista do céu: milhares de luzes coloridas que mais parecem uma obra de arte. Fico imaginando como seria pousar em Las Vegas… surreal, no mínimo. O avião aterrissa. Aguardamos a conexão para Orlando. O segundo avião pousa. Orlando, enfim! Sinto-me dentro de um filme: estradas de cinema, casinhas de cinema, carrões de cinema… Mas, ainda assim, é só o começo.
O Ônibus segue o caminho até o Epcot, o primeiro parque da Disney que iríamos conhecer. A expectativa é enorme, mas a realidade a supera imensuravelmente: tudo aqui é perfeito, no mais essencial sentido dessa palavra. Simulações da evolução, de asa delta, de testes de segurança de carros, várias culturas e países dentro daquele pequeno mundo onde acabávamos de entrar: o mundo Disney. Dando uma volta nesse mundo, conhecemos China, Japão, Reino Unido, México, e muitos outros lugares em um só dia. E, ao final deste dia, a primeira celebração: Epcot Illuminations Fireworks. Impecável.
Conhecemos tantos lugares incríveis, mas nenhum desses encantos se compara à magia do Magic Kingdom. Revivo minha infância fingindo ajudar o Mickey a salvar o dia, converso com personagens de desenhos que já foram meus heróis, tiro fotos, peço autógrafos, vejo apresentações, e brinco… feliz como toda criança. É o reino onde os sonhos se tornam realidade, já alertava Walt Disney. Então,vejo todos os personagens, tão adorados, desfilarem pelo parque: é a “Celebrate a dream come true” Parede, e o próprio nome indica a sensação que se tem ao presenciá-la. Mas o mais lindo… ah! o mais lindo ainda está por vir.
Anoitece no Magic Kingdom e, apesar da ameaça de chuva, o show de fogos “Wishes” é anunciado, preenchendo-nos com entusiasmo. Audição e visão nunca foram tão bem estimuladas quanto naquele momento. Fogos e sons em perfeita sintonia, Sininho voando sobre nossas cabeças, imaginação tão solta que torna estranho pensar que ela não é realidade. O show mais maravilhoso que já vi, ouvi, senti e vivi. Volto ao hotel, pensando se deveria ser acordada para voltar a sonhar.
Chego no Disney Hollywood Studios. Concluo que me precipitei ao pensar que estava vivendo um filme antes, pois até mesmo a apresentação do Rei Leão no Animal Kingdom agora parece pouca. Neste momento sim, vivo um filme, está claro. Vivo A bela e a Fera e A pequena Sereia, e participo de tantos outros contos através de brincadeiras! É fantástico. Ao final deste dia, aguardo, em algo semelhante a um estádio, porém aberto e com vista para uma espécie de lago, um show chamado Fantasmic. Converso com uma família americana. Uma mulher jovem, uma mulher mais velha e uma criança. A brilhante apresentação nas águas termina. Dirigimo-nos todos à saída. Despeço.
Antes de partir, encontro novamente a família com a qual havia conversado. Digo às mulheres que realmente adorei conhecê-las, e que espero encontrá-las novamente algum dia. O carinho é retribuído. Despedimos de novo, mas antes que eu pudesse dizer adeus, um abraço! Um surpreendente, carinhoso e aconchegante abraço de meio metro de altura e inestimável valor. A criancinha loirinha, de olhos azuis e com uma mecha rosa no cabelo, despede-se de uma forma tão bela! Tão amorosa e calorosa…Tão intensa que eu me deixa sem reação… tanta idéia falsa eu tinha sobre aquelas pessoas, os frios e calculistas americanos do norte! Tanto preconceito idiota…
A coisa mais linda foi aprender que pessoas não podem ser padronizadas, generalizadas: pessoas são singulares. Talvez você não goste da crença que elas tem, ou do modo como se vestem, ou de onde elas moram, ou talvez você até goste, mas é um tabu assumir esta posição. A verdade é que não importa. As coisas que elas fazem ou que você pensa que fazem não definem quem são. Pessoas são só pessoas, e só tem em comum o fato de serem diferentes. A coisa mais linda é poder ter a mente aberta para não julgar as pessoas que aparecerão em nossas vidas.
Sinal
Luz que esquenta e encanta. Luz que desafia. Forma círculos no ar, desenhados por mãos hábeis. Mãos exaustas, mas precisas, mãos que sabem. Sabem o perigo que correm e o poder que tem. Sabem?
É bem verdade que isto pouco importa. O ato é preciso e o ator cuidadoso tem amigos. Os amigos caminham entre os carros com rostos tristes. Recebem trocados por apelarem para a consciência que ainda existe. As esmolas são guardadas e nada mais. Não houve lição, não houve trabalho e muito menos paz.
Alguém na platéia pensa que ajudou. O menino ator não se importa com seus espectadores. Por que se importaria? A platéia é imensa e ele apenas um menino. Um menino sem importância, como tantos de seus amigos. Continua seu espetáculo banal, girando o fogo que ilude. Ilude os outros e a si. Ilude?
Nesses segundos entre a luz vermelha e a verde, o show que começa não é bem visto. Mostra o menino que brinca com o fogo, o menino que tudo pode. Pode ferir, pode queimar e incendiar. Pode?
O movimento é cessado após um sopro. A luz se apaga. Os carros correm.
Eterna batalha
Eu poderia discursar
Sobre reflexões e pensamentos
E poderia só falar
Soprar idéias ao vento
Poderia, entao, insistir
que estou certa e que sei
E poderia até fingir
Pra mim mesma que não errei
Eu deveria escutar
O que tem a propor
E deveria não opinar
Nem pensar em me opor
E deveria concordar
Que está certa, eu sei
Mas eu iria analisar
Sua falha e limitação
E deveria me calar
Ante sua falta de visão
O dever arranha, tímido, te limita
O poder, em chamas, não se acanha, grita
Deixar queimar-se ou deixar que queime
Deixar queimar-se ou deixar que queime
Sobre a bolacha que caiu no chão
A bolacha que caiu no chão é aquela que desperta sentimento. Raiva, dúvida, frustração…é impossível ser a ela indiferente. Ela não é necessariamente a última bolacha do pacote, que já foi fabricada com o privilégio de ser quem vai deixar o gostinho final, e todos sabem que seu gosto é exatamente igual ao das demais, mas ela se destaca. Mesmo sabendo que já está suja, a hipótese de apreciá-la, e, assim, corrigir seu próprio descuidado, é, no mínimo, considerada. Então vêm as desculpas; “existem pessoas passando fome, não posso desperdiçar”. Neste e na maioria dos casos, desculpas não passam de ótimas formas de amenizar para si o próprio fracasso. Ela não estaria no chão se seu dono fosse menos estabanado. A esta altura, seu dono já a teria saboreado, e provavelmente estaria fazendo planos para a última. Mas não. A que caiu no chão tem seu charme, seu quê de algo que incomoda, faz-se impossível de ignorar. Então, o que fazer? Ser sensato e descartá-la ou sucumbir ao desejo? Decida-se, os três segundos já passaram.
Inicialmente, preciso revelar que esta é uma tentativa de superação de um trauma. O fantasma do Post da Disney, o qual eu prometi a mim mesma e ao resto do mundo e o mesmo que ainda não tive conhecimento lexical inspiração suficiente para escrever, me assombra de tal maneira que não me permite postar qualquer outra coisa.
Então vamos lá tentar filosofar.
Onde está o ânimo, afinal? Li na internet que a falta de ânimo é comum. Aliás, li uma coisa do tipo “compreenda e tolere a falta de ânimo”. Pro inferno. Ânimo vem do latim animus, que, em seu significado essencial, quer dizer alma. Então sentir falta da sua própria vivacidade é simplesmente uma coisa natural que vai passar e pronto? Se é assim, o mundo está perdido, de novo.
Sabe, eu preciso colocar os pensamentos, as emoções e os sentimentos no lugar, porque, eu sempre achei que tivesse muito a falar, agora, eu tenho certeza de que o que tenho a dizer não é só muito, mas sim especial. Porque vivi muitas coisas que tentarei descrever e transmitir por palavras, pois são vivências que valem a pena lembrar e compartilhar.
eighteen
coisas que a memoria nao se lembra ainda fazem parte da nossa historia? jeitos que ja nao sao mais nossos ainda dizem quem somos? a idade que nao possuimos mais, tudo que fica pra tras, o novo comeco que marca o fim. tao complexo eh o tempo, eh a vida, eh cada um. misterios de aniversario.
O importante é ter o dom
Cara, o mundo está cheio de gênios. Mas eu não estou falando de Einstein, Newton ou pessoas do gênero, falo daquelas pessoas que tem ideias que, se formos refletir sobre, são totalmente nonsense, mas divertem as pessoas religiosamente.
Digam-me, por favor, quem foi o gênio que supôs que desaparecer com 3 ou mais bolinhas de mesma cor, ou 3 ou mais figuras de mesma forma seria uma maneira de entretenimento tão divertida?! Nossa, quantos estilos de jogos desse tipo existem espalhados pela internet, pelos celulares e coisas parecidas?! Incontáveis, e todos com o mesmo propósito: destruir cores e formas geométricas alopradamente. E quem foi o gênio master que decidiu fazer um site para as pessoas falarem sozinhas, com nenhum outro propósito se não que seus seguidores lessem o que elas escrevem?(Sim, o Twitter é uma idéia nonsense suprema.)
Diga-me também, caro leitor, você já sonhou em ser garçom? Eu posso entender a graça de jogos em que você é um astro do rock, da luta, ou qualquer outro astro, mas eu realmente não consigo entender como pode ser tão legal ser um dos únicos funcionários de um restaurante/bar/lanchonete e ter de servir milhares de pessoas estressadas e com pressa, no entanto, joguei umas 4 versões de Diner Dash e umas 2 de um outro joguinho semelhante.
Quando eu era criança, diários costumavam ser a fonte dos segredos das meninas e as mesmas os guardavam a 7 chaves. Eis que um ser é abençoado com uma inspiração: “Criarei uma página na internet para que as pessoas possam usar como diário, então todos poderão ler os segredos delas”. Tudo bem que o blog tomou proporções bem mais amplas, mas que o propósito inicial era ser um diário, isso era!
Deixando de lado as genialidades de internet, deparamo-nos com uma ideia que pode ser uma das mais geniais da história: Quem foi o deus (o título de gênio é pouco para ele) que inventou que pipoca seria a metade da laranja de assistir filmes? Sou fã desse cara!
E o celular? Meu Deus, o celular! Aquela ferramenta de comunicação móvel que, de repente, tira fotos, pega sinal de tv, limpa sua casa e escova seus dentes. Sim, existiu uma mente brilhante que resolveu fazê-lo mil e uma inutilidades.
Por favor, aplaudam estes gênios e tantos outros com idéias bizarras que dão totalmente certo! É o que dizem, o mundo está cheio de possibilidades e eu penso se seria lucrativo vender água colorida.

