Publicado por: mayfeel em: agosto 19, 2010
Tenho certeza de que bons ventos o trazem aqui, então seja bem vindo!
O mayfeel é o meu cantinho, onde exponho pensamentos, anseio, desejos, inspirações e todos os tipos de coisas que saem da minha cabeça.
Aqui você pode encontrar fábulas, contos/crônicas, poesias, como também pode encontrar indicações de filmes, besteiras e desabafos.
Aprendi na escola que, quando vamos citar algo, colocamos aspas e/ou referência de autoria. Então, se encontrar textos sem alguma destas indicações, significa que fui eu que escrevi. Isto quer dizer, também, que, se pretende copiá-los e colá-los por aí, você deve fazer o mesmo.
Não via necessidade de ser tão dura com os copiadores, até que encontrei um blog repleto de textos meus no qual o autor não deixava nada claro que o que estava ali não era dele. Para evitar esse tipo de stress, peço que indique a fonte (http://mayfeel.wordpress.com) quando postar os textos em algum lugar. Pretendo fazer posts denunciando os sites nos quais encontrar plágio.
Espero que goste do que encontrar aqui e que as palavras o faça sentir algo especial.
Enjoy it!
obs: este é um post fixo, atualizações estão logo abaixo.
Publicado por: mayfeel em: janeiro 23, 2012
os sonhos!
Doces coberturas da vida terrena. Se me perguntar: “Qual é o seu maior sonho?”. Eu não sei mais responder. Tenho, sim, incontáveis vontades, exagerados desejos. Desejo coisas que nem mesmo compreendo: a cura da minha mãe, viver em um ambiente de paz, ter tempo, ad infinitum…
Mas os sonhos já foram muitos! Viver de música, ter uma família feliz, ter um grande amor, viajar por vários países do mundo… E, agora, eu fico me perguntando, qual é a enorme diferença? O que coloca algo na condição de sonho ao invés de desejo, ou vice-versa?
Será o sentimento de que a felicidade depende do sonho? Será a ideia de que o sonho é o pedido mais íntimo, mais especial? Não sei. Na minha cabeça, eu consigo entender que um sonho é diferente de um desejo, mas isso tem mesmo lógica, faz mesmo sentido, é mesmo real?
Por mais lindo que um sonho possa ser, e por mais essencial que ele possa parecer, hoje, na condição de sonho, ele é ainda uma ilusão. Pode ser que ele exista em algum futuro inacessível, mas me refiro ao agora. A este momento precioso que disperdiçamos pensando no que não temos e gostaríamos de ter e nos esquecendo do que realmente nos alegra neste instante. A felicidade pode ser um sorriso de 3 segundos, ainda que não seja pela realização de um sonho.
De modo algum me coloco contra os sonhos. Esta linda vontade, unida a muito esforço e resignação, quando realizada traz grandes alegrias – isto é, tão grandes quanto forem os sonhos. Alegrias, estas, que irradiam e às vezes envolvem todo o planeta. Sempre preferi a cobertura à massa, para ser bem sincera, mas há algo diferente em mim.
Se os sonhos estão tão distantes, preciso trazê-los mais perto. Tentar encontra-los no agora. Se tenho sonhos que não são tão fáceis de transportar, não preciso desistir deles, mas não posso deixar que eles me digam como ser feliz. Sonhos, desejos, vontades, anseios… são daqui pra lá.
E aqui, nesta mente capaz de projetar tantas maneiras de ser feliz, sou capaz de achar a felicidade do agora. Honestamente penso que ela, pura, simples e desvinculada de motivos, é algo com o que eu já sonhei um dia.
Publicado por: mayfeel em: setembro 21, 2011
Se bem se recordam, há aproximadamente um ano atrás tive uma crise geral, um pani completo. Queria mudar tudo na minha vida e com a urgência das crianças que querem doce. Aos poucos, fui conseguindo fazer algumas mudanças no meu dia-a-dia, na minha maneira de agir e até mesmo de pensar, nos meus finais de semana, até que mudei o curso. Mudei o curso em vários sentidos, mas dessa vez me atenho à faculdade e à escolha da minha profissão.
Logo, procurei também um estágio – por interesse monetário, por reclamações dos pais que pensam que estudar é igual a fazer nada e por estar empolgada com a possibilidade de tomar rédeas da minha vida. Comecei a tirar carteira, integrei uma banda cover, comecei a namorar, decidi continuar dedicando meus finais de semanas integralmente ao trabalho voluntário, continuei com o grupo dos palhaços, resolvi cuidar da dor que sinto no joelho e comecei a apresentar um programa quinzenal na rádio, não necessariamente nessa ordem mesmo!
Foi assim. De uma hora para outra, comecei a fazer o que eu quero e deixei de ter tempo para fazer o que eu quero. Já abri mão de algumas coisas, mesmo sem querer. Constantemente abro mão de estar com meus amigos, e isso me dói tanto tanto! Mas tudo o que faço agora é tão bom pra mim que não consigo tirar nada! tá, se eu pudesse tiraria aquela matéria inútil e chata que a faculdade me obriga a fazer e que me faz perder tempo
Então, sou um caso sem solução que aguarda ansiosamente as férias, ou que o dia passe a ter 48 horas, para eu, enfim, conseguir fazer o que eu realmente quero.
Este foi um suspiro de alivio de quem sente falta de todos vocês e gostaria de ser muito mais presente em suas vidas.
Miss you.
Publicado por: mayfeel em: julho 25, 2011
Demorei muito para admitir que a dependência química faz parte da minha realidade. Mais precisamente 20 anos e 15 dias. Digitar essas palavras dói. Mas é aquela dor de arrancar a parte da ferida que fará melhor, pois ela é inútil nesse corpo. I-N-Ú-T-I-L. A grande maioria dos meus amigos neste momento deve estar perplexa, perguntando-se de quê eu estou falando se não bebo nem Coca-cola. Estou falando de uma realidade que vejo todos os dias no meu lar, e que fingi por tanto e tanto tempo estar bem distante. Não mais.
Meu intuito nunca foi e não é reclamar de minha condição. Não sei se há um intuito consciente no que eu faço agora. Mas é um passo enorme, gigante para mim. Falar. Simples e diretamente. Sem florear, sem fingir que não é comigo ou sobre mim. É um passo enorme tirar essa situação do pedestal na qual eu a coloquei: algo tão meu e precioso que ninguém mais poderia ter acesso. Enorme erro esse nosso de esconder tesouros.
Não pretendo também expor ninguém além de mim. Mas entendi que não é meu papel camuflar os erros alheios. Não é minha responsabilidade o modo como o mundo enxerga esses erros, somente o modo como eu enxergo tudo isso. E o modo como eu enxergo grita que sejamos conscientes do que acontece, sem julgamentos. Sejamos conscientes de que esta é uma realidade que afeta a todos nós! Mesmo que não tão diretamente. Esta não é uma cena de novela das oito. Isso tudo é real e se você olhar para o lado, verá. Ao alcance das suas mãos.
Então, vou lhes contar brevemente a minha experiência. Mais ou menos aos 12 anos, vi minha mãe tentando tirar da minha vista um pequeno pacote com uma substância branca. Por vários dias fiquei pensando nisso, quando me lembrei de algumas coisas que já tinha achado estranhas antes – cheiros, comportamentos… coisas de quando eu era bem mais nova e inocente. Entendi. E, até hoje, posso contar nos dedos as pessoas para quem eu contei essa história.
Desde então, me fechei num mundo de “isso não é comigo” e posso dizer que ainda não saí por completo deste lugar. Um dos meus tios morreu de overdose, outro ficou preso por um ano no Mato Grosso. Com minha mãe, nada deste tipo aconteceu até hoje. Mas pude ver muitas coisas em casa, muitas pessoas, muitas cenas perturbadoras. Vi “festas”, madrugadas viradas, vi pessoas que, de tão descontroladas, tentaram suicídio várias vezes. Não só vi como convivi com tudo isso.
E sabe o que vi do outro lado dessa história? Pessoas sem experiência alguma, sem noção alguma, apontando o dedo para a realidade das drogas como algo a ser isolado, enviado para fora do planeta. “Os drogados, os viciados, as pessoas loucas que acabam nas ruas porque não conseguem se sobrepor ao vício”. Como se fosse tudo culpa delas, sabe? Como se qualquer um de nós pudesse olhar para o outro e jogar pedras por causa de más escolhas que o tornaram doente! Como se sempre tivéssemos escolhido tudo muito certo, grandes exemplos que somos…
Aquela pessoa que perdeu tudo por conta da doença do vício – doença sim! porque implora tratamento, porque nem o corpo consegue se curar da dependência sem a devida medicação, quanto mais a alma se livrar da vontade sem o devido apoio – já foi criança um dia. Já quis apenas balas, chocolates, leite com nescau. Já não gostou de legumes, brincou de carrinho e boneca, já quis salvar o mundo, já sonhou alto. E, no meio do caminho, no tropeço de uma má vontade, de uma má escolha, não conseguiu mais retornar.
Hoje eu GRITO para que o modo como enxergamos essa realidade mude! Para que outras crianças de 12 anos não se sintam erradas por expor situações que as pessoas de fora têm tanta dificuldade para ver. Para que não se demorem segundos para que a ajuda seja buscada. O câncer muitas vezes tem cura se diagnosticado cedo. A dependência química também.
Vamos parar, por favor, vamos dar um tempo de tanto julgamento e incompreensão! Vamos nos comportar como seres inteligentes que somos e raciocinar um pouquinho que seja acerca desse problema que é de todos. Pensa que não? A maioria dos pequenos furtos é feita por pessoas que não tem dinheiro para sustentar o vício e não aguentam a situação do corpo em abstinência. Se alguém te furtasse por fome, você compreenderia, não? Se você estivesse com fome e sem recursos e pensasse que a única saída para sobreviver fosse essa, você agora estaria na mesma encruzilhada em que se encontram os dependentes químicos todos os dias. Mas é claro que o que vem depois é questão de escolha. Vocês podem ter certeza de que, depois dos breves momentos de prazer, eles se culpam o tempo inteiro por essas más escolhas, como você se culparia se tivesse escolhido errado.
Hoje, eu coloco os pés no chão. Deixo-me fazer parte da realidade. Porque aqui é melhor, com todos os problemas e todas as complicações. Estando aqui, podemos transformar. De longe, não. Hoje eu te convido para colocar os pés no chão, junto a mim. A ter coragem de admitir e de assumir as verdades que te rodeiam. Só tornando elas verdades para nós teremos capacidade de moldá-las, transformá-las no céu que tanto sonhamos.
Publicado por: mayfeel em: julho 4, 2011
Vivo num planeta que tem uns serezinhos muito estranhos. Cada um deles é um tesouro único e imensurável. Porém, eles se guardam debaixo de sete chaves, quinze gavetas, treze armários e vinte e sete fechaduras de bronze.
Acessá-los é tão complicado… Beira ao impossível em certas vezes. No entanto, vivem trocando ideias, compartilhando gostos e conhecimentos sem que exprimam o quanto há de si em tanta falácia e divagação.
Esses seres pensam que são especiais demais para se dividirem com os demais. Principalmente quanto se trata das dificuldades que eles possuem. Pensam que as dificuldades pertencem a eles e que ninguém pode entendê-los porque não passaram pelo que eles já viveram.
A parte do tesouro que cabe às experiências ruins fica ainda mais resguardada. “Imaginem só se os outros descobrirem sobre as situações que me ajudaram a ser quem sou, a construir o que construí? Eles irão me conhecer. Conhecer minhas intenções, pretensões, meus motivos e meus limites!”, pensam.
Tudo é tão mais fácil jogado ao desconhecido. Podem pensar deles qualquer coisa, pois seus tesouros estão guardados. Os seres do meu planeta não percebem o quanto são egoístas quando agem assim.
Como o tesouro que são, precisam ser compartilhados! Divididos, somados, multiplicados! Alguns mais felizes, que emprestam um pouquinho de si para o amigo, podem declarar que seus corações se enchem de alegria por mostrarem a luz que aquela frestinha do tesouro reflete.
Agora, imaginem só – pois tudo que é real hoje existiu um dia apenas no pensamento e imaginação de alguém – se no meu planeta todos resolvessem deixar brilhar seus tesouros? Expô-los ao vento e à tempestade. Sabe, ao invés de olhar o planeta e ver uma superfície cheia de armários, portas e gavetas, observaríamos um lindo conjunto de diferentes luzes refletindo o sol. Sabe por que são tão belos os tesouros? Porque a beleza deles existe para ser compartilhada.
Publicado por: mayfeel em: maio 28, 2011
Não escrevo mais, pois há muito tempo não paro para me ouvir. O silêncio é raro nos dias tão corridos de hoje. E também é a palavra útil, a palavra bela: a poesia. Tenho sido uma poeta maneta, sem voz. Deixei escorrer o tempo das coisas simples e agora me apresso atrás desses segundos desesperadamente.
Mas, me diga: se soubesse que tudo seria tão breve quanto percebe o que já passou, teria aproveitado mais? Vivido mais? Quero dizer… estaria mais presente naquele passado ao invés de ocupado com problemas e planejamentos futuros? Quanto tempo não viveu tentando estar antes ou depois?
Percebo, agora, que não se trata de perenidade. Trata-se de simples e pura vivência. A falta existe quando se enxerga o vazio. E todos esses vazios que te compõe precisam ser descartados, eles não influenciam em nada do que é ou deixa de ser. É ilusão se desculpar pelo que não existe.
De agora em diante, não tente fazer de tudo: tente apenas fazer sempre. Demore-se nas mais pequenas coisas, dedique-se a elas. A pressa é resultado da distorção que você mesmo faz do seu tempo. Acalme-se: tudo está em seu devido minuto. Pare de desperdiçá-los, então.
Talvez este minuto de espera tenha sido exatamente o que você precisava para descansar. Mas se ocupá-lo com impaciência, irá se deslocar e perdê-lo, transformando-o num minuto de pré-ocupações. Cada segundinho tem o seu valor, se vivenciá-lo. Não é aquele suspiro profundo que retorna o ar aos seus pulmões quando algo o faz esquecer de expirar?
Suspire sempre que necessário. Quero te pedir, meu amigo, que apague todas as minhas ausências contigo, se possível for. Recorte agora todas as boas lembranças e as mentalize numa sequência ininterupta. Viu como é eterno o que vivemos juntos? Por favor, não sinta falta de mim e eu tentarei não sentir falta de ti. Porque separados estamos apenas em pausa, preparando-nos para a satisfação de um novo encontro.
Amo vocês, preciosos.
Publicado por: mayfeel em: março 15, 2011
A grama muito verde destacava uma pequena reunião de delicadas flores brancas e amarelas. A elas se juntaram dois jovens sorridentes, que se sentaram de modo a envolvê-las. Contemplaram um ao outro na troca de olhares que parecia eterna conversa de antigos cúmplices.
A menina pegou uma flor e ameaçou soprar. Esperou por alguns instantes uma resposta, um desafio. O jovem apenas sorriu. Aquele sorriso de canto de boca que encanta. Soprou. O dente de leão se desfez pelo ar, tocando a grama, a poeira no vento e rosto da moça. Suas bocas se aproximaram e os olhos se beijaram.
A gota enxerida caiu no espaço que separava os lábios, avisando-lhes da chuva que começava. Mas eles não se importaram. Continuaram a dispersar as flores pelo ar e, consideravelmente sujos e encharcados, se abraçaram.
Os rostos, os mãos, os corpos e a chuva. E o sol que veio depois.
Publicado por: mayfeel em: março 10, 2011
Escrevi incontáveis palavras em pensamento para você. Tentei narrar o que senti e o que sinto, de maneira pela qual pudesse me convencer. Me perdi. Tem sido assim desde o dia em que me dei conta de que não somos mais nós. Somos eu e você, unidades distintas que existem e resistem individualmente. Quem diria?
Não que esta revelação tenha me ocorrido somente agora. Já faz um tempo, eu sei. Já faz um tempo que nos vemos sós, sem planos, sem cúmplices, sem certeza. Que falta essa última faz, né? Sem ela, somos dois corações covardes que se amam, mas não se entregam. A certeza de que ainda nos amamos tanto que podemos aguentar tudo. Mas não pudemos.
Tente nos desculpar: éramos novos, éramos tanto! Demais até mesmo para a realidade. Fomos verdade, porém. O quadro mais bonito que já vi dois pinceis pintarem juntos. Não podemos estragar tudo isso com cobranças acerca do que deixou de existir. Precisamos seguir pelo único caminho que vale a pena: em frente. Preservar toda nossa magia, nosso conto de fadas, para que nem o tempo ou as pessoas, ou mesmo a saudade e os sentimentos ruins possam tirar de nós.
Me incomoda sentir que desistimos do nosso sonho maior: estar juntos. Mas será que foi isso que aconteceu? Quando olho pra trás, vejo tanta luta, tanta força e tantos obstáculos vencidos. Juntos, como sempre estivemos, mudamos o mundo. Porém o mundo começou a desandar; nos separamos muito antes de qualquer decisão. Talvez a realidade tão absurda não nos deixou perceber. Então, insistimos. Lutamos mais ainda, até o limite.
Gostaria de acreditar no limite, seria mais fácil. Mas a falta dele é que faz as coisas melhores, que me faz ter certeza de que, afinal, não desistimos. Transformamos. Nossa amizade é a prova disso. Desistir seria destruir tudo que tivemos – e temos!- de bom.
Sei que posso contar com você para nos guardar num cantinho muito especial da sua alma. E mesmo que tudo mude, que a gente surte e que novas pessoas apareçam, só quero que saiba que é parte de mim – parte de mim sem fim.
Amor é um sentimento que jamais pode acabar.
Te amo.
Publicado por: mayfeel em: fevereiro 8, 2011
Eis, pois, que vos digo: a imaginação é a nossa mais poderosa ferramenta de criação.
Katie era uma garotinha que vivia numa fazenda, não muito longe daqui. Ela gostava de brincar num lago perto de sua casa. Certo dia, depois de uma temporada sem visitar o lago, Katie foi brincar e ele havia sumido. Tudo que restou foi um grande buraco. Katie ficou triste, não entendeu como isso pôde acontecer. Perguntou ao seu pai, que culpou a seca e discursou sobre todo mal que esta havia causado.
A menina teve uma ideia. Começou a carregar copos de água na tentativa de reviver o lago. Katie era pequena, tinha apenas cinco anos. Não tinha força para carregar baldes. Depois de ter feito isso o dia inteiro, frustrou-se com o resultado de seu esforço.
Parecia que nenhuma água havia sido trazida, pois o buraco estava exatamente igual. Cada gotinha desaparecera no solo e nem uma poça permaneceu.
Então, ela se deitou muito triste. Não conseguira salvar seu companheiro. Acordou no dia seguinte e resolveu ir confrontar o buraco. Como ousava absorver todo seu trabalho e impedir que a agua voltasse a viver lá?
O que aconteceu a seguir é bem difícil de entender, então peço apenas que imaginem. Katie chegou àquele lugar outrora tão familiar e se espantou. Por um momento, pensou ter errado o caminho… mas, não! Era ali mesmo.
Katie olhou para dentro do buraco e nele não havia água retida, nem terra seca. Ao invés, contemplou extensas fileiras de flores branco-rosadas. Era como um lago de rosas. Pétalas e mais pétalas reunidas, formando lindos arranjos.
Katie correu para a fazenda e arrastou seu pai para o lago. Pediu que ele explicasse como isso aconteceu, mas ele certamente não pôde. Katie perguntou: “Cada gota de agua pode virar uma rosa?”. O pai respondeu: “Se me perguntasse ontem, diria que não. Mas hoje acho que depende apenas da vontade da terra. Sabe-se lá de onde vieram tantas estacas!”.
Katie gargalhou satisfeita. Cumprira sua missão, afinal! Pois quem disse que o lago precisa ser sempre o mesmo para ser seu amigo, se tudo, tudinho mesmo, está sujeito às mais belas transformações?
Publicado por: mayfeel em: janeiro 20, 2011
Certo dia, estava num bosque muito chuvoso. A chuva que caia falava comigo e sobre as águas formavam-se pinóquios. Inconstante e duvidosa, a chuva me alertava sobre pesadelos e mares bravos a encontrar pela frente. Ouvi. E ela continuava a bradar raios e trovões infinitos.
Eu tinha um certo receio, mas, ainda assim, decidi por continuar a andar. Caminhei e, mais à frente, encontrei uma velha taturana que me disse para retornar. “Dali não poderia passar”. Não entendi o por que de tanto medo e tanta apreensão. Escolhi não lhe dar ouvidos e caminhei.
Adiante, encontrei um rio, muito calmo e sereno. A essa altura, a chuva já havia ficado para trás e pude ver o sol. Escondia-se nas nuvens, é verdade, mas brilhava. Perguntei ao rio o que havia com os moradores deste bosque, que estavam tão sem esperança e confiantes no pior! Doce, o rio me contou:
“Já passei em vários vales, depressões e cachoeiras. Sei bem que existe um belo mundo para além deste bosque. Se perguntar a estas árvores, porém, dirão que a vida não pode ser nada mais do que é. Elas não conhecem o que há lá fora. Eu, que já andei muito, vi matas ciliares desmatadas e a força de minha água a imperar contra o que me faz mal. Vi o mar em belas ondas e em ressaca, vi o peixe se afogar na bela praia e outro sobreviver no chão seco. Me admira a chuva trovejar infortúnios se ela própria é passageira! E foi isso, menina, que aprendi: a vida é feita de trechos. Não se acanhe se este trecho não é de seu agrado – outros melhores virão… e também passarão. Somos passarinhos, que precisam aprender a voar sem pressa, medo ou ter que chegar. Pois um dia chegaremos, e passaremos. O que não se pode é deixar de sair do lugar.”
Publicado por: mayfeel em: janeiro 10, 2011
Deixe-me ficar um pouco mais nesta festa. De luzes e cores repleta, notas e harmonias bailam noites e dias, dançando valsas de amor. Ah, o amor. Como é possível a esse coração tão pequeno penetrar – e provar – tão inestimável infinito? E amar tudo e nada em particular. Todas as peculiaridades indistintas e somadas pelo verbo que não exige complemento.
Amar, pois o coração incha e a alma explode. E as faíscas de alma caem displicentes pelo mundo como gotas de chuva. Molham os rostos, lavam os homens. Escorrem pelas ruas e dão vida à terra. E o nosso pequeno mundo vibra e se eleva. Celebra conosco cada gotícula e também incha: fica cada vez maior.
Tão grande que não podemos ver. Tão grande que não podemos tocar. Tão grande que não podemos definir ou mensurar. Precisamos inventar novos sentidos, novas palavras, reinventarmo-nos por completo. E precisamos aprender a sentir.
Pois minha alma arde e o corpo não sustenta a paz e alegria que querem permanecer. E o que sinto é só um reflexo, uma pequena ideia que começa a nascer. Mas eu quero ficar. Ficaremos na festa e tudo o que precisamos fazer é aprender a amar.