Bom Pai,

Eu que já andei um pequeno pedacinho do caminho dessa existência não pude deixar de notar as paisagens.

Algumas são estonteantes! Deslumbram-me o olhar inocente e infantil… como se me pusesse a observar estrelas cadentes ou vagalumes e suas luzes doces e hipnotizantes.

Outras são neutras como dias indefinidos entre o calor e o frio, a chuva e o sol e o sentir ou se abster. Neutros como se pode ser.

A maioria, porém, desperta uma mistura tão elaborada de sentimentos que me seria impossível definir.

Existem sofrimentos feios e sofrimentos belos. Há alegrias contagiantes e alegrias egoístas. Existem amores combustíveis e amores que se deixam inflamar, queimar e expirar, sós.

Tantas são as paisagens deste mínimo trecho, bom Pai! Particularmente poderia dizer que estou a observar paisagens muito sofridas, às vezes feias e em outras tão maravilhosas que me tiram o fôlego.

As pessoas sofrem tanto, pelos mais variados motivos, e muitas vezes as observo e meus olhos se preenchem de um amor que desconheço. “Eu sinto sua dor” é o que tenho pensado a quase todo momento.

Ao mesmo tempo, vejo-me serena a observar paisagens. De alguma forma já entendo que, mesmo que realmente não haja nada que eu possa fazer para ajudar, eu sinto que as pessoas vão conseguir. Todas elas. Cada uma com seu sonho e desafio. Cada uma destinada a experienciar alegrias infinitas!

Ah, amigos. Confiem, por favor! Não em mim ou nesse texto… Mas em vocês!
Sejamos menos pedintes e mais atores, menos reclamões e mais caridosos com nossas imperfeições – e, consequentemente, com as imperfeições do mundo -, menos apontadores de dedos e com mãos mais disponíveis a auxiliar, menos exigentes e mais leves em nossa passagem pela vida dos outros.

Tudo, tudo, tudo, tudo, tudo um dia vai embora. De alguma forma. As paisagens sempre se modificam, até dos lugares aos quais retornamos, às vezes.

Bom Pai, não permita que eu me perca, na inquietude de pontos de vistas alheios. Não permita que eu me iluda com as luzes pisca-pisca de natal. Não permita que eu carregue nuvens de tempestades de céus que não são os meus. Mas, principalmente, não permita, Pai, que eu não participe da melhor forma possível das paisagens que o Senhor me oferece com tanto amor.

Me ajude a amar, Pai, a amar a vida de verdade.

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Marina Soares

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