Estamos nús

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De quantas ilusões nos vestimos, apenas para descobrir, em algum momento, a inutilidade que há em se acomodar em cobertores finos e transparentes?

Mas, até que algo nos provoque as fibras mais íntimas e verdadeiras da própria existência, desconhecemos tanto espessura quanto opacidade das ilusões que costuramos cuidadosamente. Não nos julgue: estamos aprendendo.

A inconsciência é um processo importante de defesa. Não há alma neste mundo que se isente de ter cotas impressionantes de sofrimento e superação. Lidamos com as mais adversas situações da melhor maneira que podemos, mesmo que depois percebamos que tenha sido uma maneira extremamente ruim.

Somos imperfeitos – e que um suspiro de alívio acompanhe esta frase. Queríamos ser melhores, queríamos agir com amor. Queríamos não ferir, queríamos ser justos, benevolentes, altruístas, companheiros, respeitosos, agradáveis, sábios, belos. E não somos. Não tudo, não sempre. Às vezes um pouco de cada coisa, o que não nos parece suficiente.

Então, fingimos. Repito: não nos julgue. Julgar só aumenta a distância entre a ciência das más escolhas e a capacidade de repensá-las e refazê-las. Julgar é também uma ilusão.

Fingimos por tantos motivos que seria ingenuidade querer listá-los aqui, como se eu de fato conhecesse a raiz íntima que nutre cada ação de tantos irmãos em humanidade. Fato é que, independente dos motivos, temos em comum a mesma resposta-defesa.

Em acreditar nas próprias fantasias acerca de quem somos, sofremos imensamente quando nos deparamos com situações que não podemos solucionar superficialmente. Como a encarar uma sala de espelhos, precisamos lidar com a realidade de quem somos e do que sentimos naquele momento. Precisamos nos aprofundar em nós mesmos.

Fácil falar, difícil executar, eu sei. Mas trazer  dificuldades à tona talvez seja o primeiro passo. Ter carinho e paciência consigo mesmo, os mais importantes ingredientes.

Não sei compor muito bem esta receita, mas posso dizer sobre o que hoje me motiva a refletir sobre tudo isto. Em verdade, pouco importa o cuidado que temos em bordar as ilusões: para a vida estamos todos nús!

Entenda vida por Deus, natureza, universo, fluido cósmico, poeira intergaláctica ou como preferir. O fato de pertencer a uma realidade muito maior do que estamos habituados a considerar me revela a inutilidade de me esforçar por cultivar ilusões acerca de ser e sentir. A vida – que, para mim, nesta ocasião melhor se traduz por Deus, a natureza e mesmo a parcela da humanidade que já sabe ver além das aparências – me vê sempre como realmente sou.

Estava lendo “Libertação”, pelo espírito André Luiz, psicografado por Chico Xavier, e o autor descrevia sua experiência na equipe de auxílio a uma zona de extremo sofrimento. Neste local, as almas humanas desencarnadas, perturbadas por seus delitos hediondos em vida na terra, apresentavam-se disformes, multiladas e até mesmo com formas a lembrar os monstros de contos de terror.

Para eles é possível enxergar a natureza dos sentimentos emanados pelas criaturas. Para eles, a realidade de cada alma é visível – mostra-se na cor, na densidade e nas formas que envolvem o corpo fluídico.

Não vou entrar em noções muito complexas sobre a doutrina que abraço, mas trouxe este retrato, inspiração para este texto, para nos preencher da maravilhosa consciência de que estamos nús!

Por pior que seja a forma que tenhamos a apresentar, ela é nossa, bela e verdadeira, de cores e texturas próprias. Singular e moldável apenas através de escolhas, vivências e experiência reais – se assim desejarmos com bastante vontade.  <3

Marina Soares

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