A dose certa

Havia uma borboleta que sobrevoava um jardim repleto de diferentes tipos de flores.
Ela sobrevoava, mas não pousava em nenhuma flor. Seria indecisão, inconstância? A borboleta parecia mesmo muito esnobe por tamanha seletividade.

Outras borboletas que passavam por lá não entendiam o que fazia a companheira.
Cada dia que passava o corpinho desta borboleta parecia mais frágil, devido a falta de alimentação. Ela voava e voava sobre um jardim repleto de flores e, ainda assim, não se alimentava.

Uma lagarta que reparara o que acontecia pediu umas palavras para com a borboleta:

– Sabe, borboleta, logo logo serei igual a você. Já é tempo de construir meu casulo transformador! Mas algo me preocupa profundamente. Vejo que você fica todos os dias sobrevoando este jardim, no entanto não pude deixar de reparar que tem se enfraquecido muito! Há algo de errado com essas flores?
– Ah, amiga lagarta! Não se preocupe. As flores estão em perfeita condição. Oferecem diferentes tipos de nectar! Para todos os gostos.
_ Mas, então, por que não se alimenta? Por que se enfraquece cada dia mais?
– Minha amiga, meu corpo pode parecer fraco, mas acontece que eu estou determinada. Há algum tempo procuro a dose certa para mim.
– Dose certa? Como isso?
– A verdade é que já provei de todas estas flores. Algumas são mesmo viciantes! É fácil se deixar levar pela doçura e satisfação que elas podem proporcinar. Já vivenciei estes prazeres, mas, quando assim, meu corpo estava fortalecido e meu coração se perdia sem própositos firmes, justos, para minha própria felicidade. Por isso mesmo, tomei uma decisão. Estou à procura da dose certa.
– E como vai saber quando esta dose certa se apresentar? Quer dizer, como sabe mesmo se existe uma dose certa?
– Em verdade, minha amiga, como prova da existência de tal remédio tenho apenas o meu coração, que me diz incessantemente para não desistir deste caminho. Como irei saber? Isso se dá apenas não desistindo, tentando sempre que possível, com confiança nas providências que fogem ao nosso controle! A dose certa nada mais é do que o meu caminho a seguir. Talvez a sua dose esteja aqui mesmo entre estas flores, mas, quanto à minha, ainda não a encontrei!
Reflexiva, a lagarta despediu-se da amiga.

A borboleta continuou a sobrevoar o jardim, em busca do seu caminho, certa de que nada a faria desistir do que seu coração pedia sem hesitar.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s