A Guerra

Hoje eu acordei pensando em acabar com a guerra. Não sei por que em nossas cabecinhas confusas pensamos que vencer tem a ver com disputar, competir, ferir. Passar por cima de todos para… vencer? Não, meus amigos. Passamos por cima de todos para destruir.

Aqui, neste pequeno hospital que é o planeta Terra, mínimo pontinho azul dentro de um universo de galáxias, em que todos clamam por amor (essa medicação sagrada!), distribuímos raiva, fúria, incompreensão. Ah, mas se nós, pacientes, ao menos percebêssemos que tem algo errado, que não é bem por aí, começaríamos a nos medicar.

Sabe a guerra com fogos de artificio anunciando milhares de mortos, feridos, desesperados? Ela começa na nossa casa, na convivência com nossos amigos, colegas de trabalho ou até com pessoas que estão apenas de passagem. Ela começa numa resposta mal dada, no rancor guardado no coração. Será que um dia iremos perceber que não existem inimigos? E então poderemos parar de despejar no outro a nossa fúria e revolta.

Imagina só viver num mundo no qual você não precisa odiar ninguém? Imagina toda essa energia desperdiçada com stress, vingança e competição convertida em saúde, compreensão e amizade? Não seria a mais sublime vitória? Ah! Mas é ainda mais profundo do que posso dizer. A cultura do inimigo é uma fuga usada por nós a mais tempo do que imaginamos. Desde quando o homem nem falava, mas lutava com os animais para obter alimento – e daí já os animais eram seus inimigos.

Fico pensando nos espetáculos da Roma antiga em que os mais nobres se reuniam nas arenas para verem leões se alimentarem de pessoas, que morriam na satisfação da fome dos animais e do povo sedento de violência. Sangue e prazer, como tanto há hoje em filmes e séries que me assustam! A plateia, de alcance global, se reúne em salas de cinema, ou mesmo no sofá da própria casa, para ver representações de pessoas se matando, se odiando, se deteriorando.

Meus amigos, não existe o bom e o mau. Não existe alguém para quem possamos torcer com nossas consciências tranquilas, pois nesta disputa não haverá vencedores. O que há são doentes da cólera em todos os lugares deste pontinho azul, que precisam de compreensão, respeito e muito amor.

Então eu entendi o que tantas vezes me falaram e que em tantas vezes estive surda demais para compreender, encolerizada demais para ver. Que podemos acabar com a grande guerra, essa guerra silenciosa que é declarada todos os dias de nossa vida, à nossa volta ou por nós mesmos, sem que ao menos percebamos. Que não existem certos e errados, não existem lados bons ou ruins. Que existem, sim, pessoas que estão aprendendo. Que podemos amar.

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