Sopro

A grama muito verde destacava uma pequena reunião de delicadas flores brancas e amarelas. A elas se juntaram dois jovens sorridentes, que se sentaram de modo a envolvê-las. Contemplaram um ao outro na troca de olhares que parecia eterna conversa de antigos cúmplices.

A menina pegou uma flor e ameaçou soprar. Esperou por alguns instantes uma resposta, um desafio. O jovem apenas sorriu. Aquele sorriso de canto de boca que encanta. Soprou.  O dente de leão se desfez pelo ar, tocando a grama, a poeira no vento e rosto da moça. Suas bocas se aproximaram e os olhos se beijaram.

A gota enxerida caiu no espaço que separava os lábios, avisando-lhes da chuva que começava. Mas eles não se importaram. Continuaram a dispersar as flores pelo ar e, consideravelmente sujos e encharcados, se abraçaram.

Os rostos, os mãos, os corpos e a chuva. E o sol que veio depois.

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