Redenção

É geralmente quando a gente se cansa e nem procura mais entender que as respostas vêm. Acreditem, elas sempre vem, mais cedo ou mais tarde. Geralmente mais tarde, para abaixar esse topete que insistimos em cultivar em nosso rosto, que tanto nos esforçamos para levantar e sustentar com gel de orgulho e prepotência.

Ah, homem, você não sabe de tudo. Aliás, você não sabe de nada. Talvez esteja começando a caminhar e descobrir algumas (e bem poucas) coisinhas. Mas tudo e sempre é apenas início. Como somos nós. E nessa mania de querer sempre um final – feliz –  não nos contentamos com nossa dádiva: o presente; e inventamos finais, pontos, exclamações, interrogações e reticências… não importa o que houve, desde que demarquemos o fim.

Maquiavel que me perdoe, mas, se prestasse um pouquinho mais de atenção, enxergaria que são os meios que justificam os cortes – as vírgulas, os travessões, pois finais não existem. Como poderiam se a própria natureza é inconstante? E até mesmo o tempo varia em concordância (ou seria discordância?) com as nossas percepções. Meu minuto pode ser vários ou pode ser breve. Depende e depende e depende.

A questão é que essa palavra sempre me soou estranha. Redenção era um sentimento desconhecido por mim. Mas hoje eu entendo. E, porque compreendo, quero me redimir por coisas que já falei e -principalmente- senti. Já quis ter feito isto antes, mas hoje encontrei a maneira perfeita.

Certo dia, bem aborrecida com as contrariedades da vida, escrevi a Deus uma carta . Nunca obtive a resposta que hoje julgo ter merecido receber – recebi silencio e carinho, ao invés de qualquer mal. Quero então, enviar a ele uma nova carta, com palavras que não foram criadas por mim, mas que dizem de maneira que nem eu mesma sei expressar tudo o que aprendi e sinto agora.

Nova carta para Deus

Deus

Senhor, passei tanto tempo te procurando! Não sabia onde estavas, olhava para o infinito e não te via. Pensava comigo mesmo: será que tu existes? Tentava te encontrar nas religiões, mas tu não estavas. Busquei-te através dos sacerdotes e pastores, também não te encontrei. Senti-me só, vazio e desesperado. Na descrença te ofendi, tropecei e na queda me senti fraco, procurei socorro. Encontrei amigos e, no carinho, vi com amor um mundo novo. Doando alguma coisa, muito recebi. Recebendo, senti-me feliz. A minha fé cresceu, de maneira a tomar todo meu coração. Encontrei paz. Enxerguei que, dentro de mim, tu estavas, e sem te procurar foi que te encontrei. ( Terapia da Oração, prece 53: Deus)

Amo vocês, meus amores! Obrigada por sempre bisbilhotarem aqui, vocês não sabem o quanto isso é importante para mim :)

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2 pensamentos sobre “Redenção

  1. É Nina, profunda sua reflexão. É muito legal sentir sua sinceridade quando você quer transmitir seus pensamentos e sentimentos.
    Quando reconhecemos erros e nos dispomos a recosturar os retalhos da vida, nos tornamos um pouco maiores em espírito. Espírito o seu que já é grande… Seja como pessoa, como amiga e como escritora também, por que não? =D

  2. E é tão bondoso Deus, que em sua paciência não nos pressiona a crer dando a todos o tempo e o momento certo cheios de oportunidades!

    É como se ele nos aliviasse aos pouquinhos -almas amarguradas e transviadas que somos- e assoprasse onde a gente tem certeza que não vai cicatrizar através de intuições boas ou de amigos. “Deus É.”

    Eu fico feliz que tenha gostado do livrinho de “Terapia da Oração” porque ele é realmente enternecedor!

    É bom pensar também no que o bom Senhor Jesus Cristo disse que se quisermos chegar ao Pai deveríamos passar por ele… Gosto de pensar no Mestre dos mestres com seus cabelos até os ombros levemente ondulados e cor de amêndoa. Olhos claros, azuis de infinita transparência que olham para nós pacientes e bondosos compreendendo nossas dúvidas e angústias mais profundas. Ombros largos de tanto nos auxiliar a carregar nossa cruz, criada por nossos desatinos imprevidentes. Lágrimas que escorrem silenciosas e tristes com nossas tristezas; sorriso que sorri quando estamos felizes também.
    É como um senhor muito querido fala sempre que “Jesus é amigo que não abandona amigo nenhum no meio do caminho.” . E louvado seja o Cristo por ter nos ensinado que simplesmente orando com todo nosso coração encontraríamos a Deus que é Pai compreensível, que “é força e alívio”(disse o doutor) sempre.

    Bendita é a “consciência da oração” – foi o que aprendi com doutor um dia.

    Beijo, Nina!

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