Aqui

– Então fique. – imploraram os olhos brilhantes de lágrimas mais uma vez.

Apegados ao passado e amedrontados pela inconstância do novo. Ah, aquele fora várias vezes tão bom! Nele, já foi princesa que se fez rainha. O sólido castelo construído com laços visíveis de amizades e amores que jamais se romperiam. E não se romperam, ou sabe-se lá.

O castelo, agora  mais inapalpável, invisível, parecia tomar uma aparência disforme, transformar-se num estado que beirava ao plasmático. As mãos, que não sentiam, e estes mesmos olhos, incapazes de unir as informações visuais em imagens seguras, prendiam-se na falta de esperança de um futuro melhor. Como poderiam o contrário?

– Por favor, fique! – dos olhos, fez-se o brilho que rolava pelo rosto e, por onde passava, desenhava um caminho banhado em desespero.

Que fora antes, mesmo? Quem é agora? E de que vale o passado se não pode tê-lo no presente?

– Fiquem, memórias, fiquem !

Lembrem-na de um tempo melhor, que não é agora. Transportem-na para o que está intacto, imóvel e imutável. Para uma foto. Pois só assim terá a segurança que busca, terá a certeza que sempre se esvai. Só assim, em instantes imensuráveis, em pinturas e impressões, nunca terá de encarar o novo. Só assim toda a imagem, o castelo, e ela, aquela ela que nem é mais, serão eternos.

E há quem abdique do movimento do vento, das ondas sonoras, do caminhar das águas e de sua própria mobilidade para permanecer em uma lembrança. Eu escolho a vida.

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