Do meu mundo

De todas as janelas que escancarei, das gavetas que tranquei, das mágoas que guardei. Das fotos que tirei, dos risos que provoquei e das provocações que encarei. Das portas que nunca abri, dos recados que esqueci e das histórias que fantasiei. Das fantasias que criei, dos lugares que visitei, das ruas por onde corri e também das por onde andei.

Dos poemas, das prosas, dos versos. Dos restos e dos excessos. Do que olhei, mas não vi, e do que vejo sem estar aqui. Das pessoas que não vejo mais e de tudo que ficou para trás sem ir. Dos que continuam e do que perpetua em mim.

Da incerteza absoluta e das contradições. Das máscaras, dos disfarces e da borrada maquiagem. Dos defeitos tão visíveis, dos erros tão claros, da transparência escurecida. Das neblinas que se fingiram de nuvens e dos altares que se fingiram de montanhas. Da grandeza que se fingiu pequena e da pequenez que se mostrou gigante.

Das músicas com as quais viajei e dos filmes que inventei. Dos livros que prometi, das palavras que cumpri e dos cumprimentos que dispensei. Dos beijos que pedi e de tudo que nunca ganhei, dos penhascos dos quais me atirei.

Das praias nas quais caminhei, dos mares nos quais me afoguei e dos ares que respirei. Dos fôlegos que faltaram, das lágrimas que sobraram e dos sorrisos que se esbaldaram. Do sol que vi morrer, da estrela que vi nascer e do mais carinhoso amanhecer!

Dos mundos que invadi, dos segredos que descobri e de tantas, tantas vezes em que me perdi. Das memórias que sustentei, dos momentos que apaguei. Dos passos que pulei e do quanto me atrasei! Dos abraços aos quais me entreguei e dos medos que me envolveram. Das coisas que nunca fiz e das coisas que me fizeram.

Dos sentimentos que despertei e também dos que cuidei. Das amizades que fiz e de tudo que sempre quis, dos sonhos que já realizei. Das realidades que melhorei, das artes que esbocei, dos desenhos que rabisquei e dos quadros que ainda não pintei.

Dos olhares que direcionei, mas também dos que se encontraram e das direções que se cruzaram. Do que senti sem saber, do que não soube dizer e do que foi bem fácil perceber. Dos esconderijos e dos meus abrigos. Dos lugares indecisos que passaram por mim.

Das pontas de grafite, das pantufas e dos xiliques, da tranqüilidade que busquei. Das coisas que perdi e do que nunca consegui. Dos arco-íris que colori, das pessoas que encorajei e da coragem que questionei. Das vidas que iluminei e das luzes com as quais me encantei e das vezes que também ceguei. Das vitórias que escondi. De todos que me tornei, de todos que conquistei e do que me tornou única.

Das inconclusões, das inquietações e das bestificações. Dos buracos onde cai, das tocas que construí e de tantas, tantas vezes em que voei. Da chuva na qual dancei e das danças nas quais me atrapalhei, do céu nublado que rejeitei.

Do que transborda em mim: de que ser menos assim é o meu não ser.

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