Daqui de longe

Os últimos olhares parecem constantes e preciosos. As últimas palavras parecem precisar ser sempre devidas. Os últimos toques, ah! Promovem sensações clamadas pela memória,  sedenta de impulsos geradores de força para a continuidade da jornada…


Você já teve a sensação bizarra de estar indo embora sem saber de onde? A confusa sensação de não saber exatamente o que deixa para trás, ou do que corre, ou por que vai, ou até mesmo se realmente está indo a algum lugar diferente. A aflita sensação de não entender direito onde está e, a partir daí, não entender mais nada.

Olhar ao redor e se enxergar em meio à neblina e ter a impressão de que este lugar, este agora, não te pertencem mais, ainda que se encontre ali. Ter o sentimento de que, na verdade, talvez você não esteja mais, apesar do que os olhos mostram.

Não saber identificar se caminha ou se é carregado a novos lares, novos ares. Novos estes que parecem melhores, inexplicavelmente. Não conseguir se certificar de que realmente se move, ou se só está parado, projetando mentalmente algum desejo que nem sabe se existe. Não saber é sempre tão desconfortante, tão inquietante! Então, talvez, a lição seja aprender a não saber.

De todo modo, essa mistura de inseguranças me faz pensar se a morte é assim. E, se for assim, pergunto-me que parte de mim morre, ou se morro por inteiro. E, se for assim, se for esta morte que é passagem, fecho os olhos e confio. Aquieto-me, aproveito o último suspiro e me entrego. Se for assim, tudo bem.


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