Das palavras que ficam no tempo que passa

Ei, vem cá? Vamos conversar? É, como nos velhos tempos… Que, convenhamos, não são tão velhos assim. Não quer falar? Tudo bem… Eu só preciso que me escute. Na verdade, quero dizer tantas coisas que poderia falar por nós dois, ou até mesmo por todos nós.

Você uma vez me perguntou de que eu tinha medo, e eu não sabia responder ao certo. Bem, posso dizer que finalmente descobri: tenho medo do tempo. Porque ele passa como bem entende e nos faz perder tanta coisa. E eu tenho medo, muito medo, de tudo que já amei não mais voltar.

Eu sei, sou a primeira assinante do discurso de que o que amamos nunca nos deixa completamente. O problema é que a parte que fica às vezes não é suficiente. Ou é, e sou eu que quero demais. Não estranharia. Até o essencial deixou de ser suficiente para mim faz um bom tempo.

Isso dói, sabe? Não poder fazer o que o meu coração pede tão desesperado. Não é algo sobre o que eu possa reclamar. Você me disse que seria assim. E não me arrependo de fazer o que faço, muito ao contrário, só me arrependo do que deixo de fazer. Preciso dar um jeito de regular os ponteiros das vontades e das possibilidades, sempre tão dessincronizados! Mas me conforta saber que essa dor vai passar, eventualmente. E, novamente, vai passar como o tempo quiser.

Acho que o tempo é apaixonado pelas dores… dedica-se lentamente a cada uma delas. Felizmente, é uma complicação que não me aflige mais. Por mais que as tristezas sejam lentas, são as alegrias que se tornam eternas. Então somos eternos de alguma forma.

“Existem dois tipos de coisas: as das quais eu não faço idéia e as que eu sei. E das coisas que eu sei eu tenho certeza”. Eu sei que podemos ser qualquer coisa que quisermos, até mesmo inimigos. Para isto acontecer, entretanto, eu teria de não ser eu mesma. Pois eu sei e você sabe que de nós eu só quero o melhor. De tudo eu só quero o melhor.

Não sou tão complicada assim, afinal. Já sei até o que devo fazer parar curar minhas angustias: arranjar uma máquina do tempo. Não, seu bobo! Eu nunca mudaria nada do que aconteceu. Só a usaria para voltar naqueles momentos tão bons quantas vezes sentisse vontade.

Já te contei que entendi algo valioso sobre os medos?  É que, se não vivê-los, como irá enfrentá-los? Longe de mim querer chamar o bicho papão, eu só sei que se ele vier e me assustar e me machucar e me deixar bem miudinha, não é de todo mal. Em algum momento, vou saber fazer uma careta bem feiosa e ele vai sair correndo. E sei que serei bem melhor depois disso.

Não é otimismo excessivo, é só uma forma peculiar de enxergar os desastres: com os olhos de quem procura o bem. Eu sei que isso pode soar patético, clichê e mimimi. Não ligo de ser patética se for pra ser feliz. Também já te disse que, para mim, o mundo é que está errado, né?

Nossa, olha a hora! Duas e quinze da madrugada. Nos perdemos no tempo de novo. Como na primeira vez, como em todas as vezes… Ou talvez seja o tempo que goste de se perder de nós. Você sabe que não sou nada fã de despedidas, mas preciso me certificar de que ficará bem enquanto não nos encontramos de novo. Então, te deixarei ir, mas tenho uma condição: sempre saberá o caminho de volta. Estamos combinados?

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7 pensamentos sobre “Das palavras que ficam no tempo que passa

  1. Os verdadeiros amores nunca nos deixam sozinhos. Por mais distantes que eles estejam, sempre dão um jeito de se fazerem próximos (nem que seja por pensamento).

    O tempo nunca vai acabar os momentos bons. Ele vai sempre conservá-los, mas, você deve saber cultivar as lembranças para que elas jamais sumam.

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