Publicado por: mayfeel em: julho 4, 2011
Vivo num planeta que tem uns serezinhos muito estranhos. Cada um deles é um tesouro único e imensurável. Porém, eles se guardam debaixo de sete chaves, quinze gavetas, treze armários e vinte e sete fechaduras de bronze.
Acessá-los é tão complicado… Beira ao impossível em certas vezes. No entanto, vivem trocando ideias, compartilhando gostos e conhecimentos sem que exprimam o quanto há de si em tanta falácia e divagação.
Esses seres pensam que são especiais demais para se dividirem com os demais. Principalmente quanto se trata das dificuldades que eles possuem. Pensam que as dificuldades pertencem a eles e que ninguém pode entendê-los porque não passaram pelo que eles já viveram.
A parte do tesouro que cabe às experiências ruins fica ainda mais resguardada. “Imaginem só se os outros descobrirem sobre as situações que me ajudaram a ser quem sou, a construir o que construí? Eles irão me conhecer. Conhecer minhas intenções, pretensões, meus motivos e meus limites!”, pensam.
Tudo é tão mais fácil jogado ao desconhecido. Podem pensar deles qualquer coisa, pois seus tesouros estão guardados. Os seres do meu planeta não percebem o quanto são egoístas quando agem assim.
Como o tesouro que são, precisam ser compartilhados! Divididos, somados, multiplicados! Alguns mais felizes, que emprestam um pouquinho de si para o amigo, podem declarar que seus corações se enchem de alegria por mostrarem a luz que aquela frestinha do tesouro reflete.
Agora, imaginem só – pois tudo que é real hoje existiu um dia apenas no pensamento e imaginação de alguém – se no meu planeta todos resolvessem deixar brilhar seus tesouros? Expô-los ao vento e à tempestade. Sabe, ao invés de olhar o planeta e ver uma superfície cheia de armários, portas e gavetas, observaríamos um lindo conjunto de diferentes luzes refletindo o sol. Sabe por que são tão belos os tesouros? Porque a beleza deles existe para ser compartilhada.